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Ser Do Bem
Ensinando Abraçar
27/04/2018 | 18h00
ONG de Goiânia leva amor e doações a comunidades carentes
Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, cerca 7,4 milhões de pessoas realizaram trabalho voluntário. O aumento foi de 12,9% em comparação a 2016

Márcio Souza*

Doar um pouco de si para ajudar o próximo tem se tornado algo frequente do brasileiro. Cada vez mais pessoas estão se envolvendo com trabalhos voluntários. De acordo com a pesquisa Outras Formas de Trabalho 2017, divulgada no dia 18 de abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca 7,4 milhões de pessoas realizaram trabalho voluntário, o equivalente a 4,4% da população de 14 anos ou mais de idade. O aumento foi de 12,9% em comparação a 2016. 

Proporcionalmente, as mulheres fizeram mais trabalho voluntário que os homens (5,1% frente a 3,5%). Além disso, quanto maior o nível de instrução, maior a taxa de realização: 2,9% das pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto realizaram trabalho voluntário, já entre as pessoas com superior completo o percentual foi de 8,1%.

Foi vendo a necessidade de ajudar o próximo, que a autônoma Rejane Guimarães Machado, de 35 anos, decidiu fundar a Organização Não Governamental (ONG) Ensinando Abraçar, que atua há quatro anos em Goiânia e Região Metropolitana. “Quando você ajuda o outro, você acaba se ajudando muito mais. Você compreende que seus problemas são muito pequenos em relação aos que os outros passam. Então, para mim, esse programa é uma escolha de vida”, afirma a coordenadora.

O projeto da instituição consiste em reunir pessoas de todas as religiões, para juntos, levar alegria e amor a quem precisa. Entre as ações realizadas pela ONG, está o desenvolvimento de atividades em asilos, como no São Vicente de Paulo, onde idosos recebem serviços assistenciais como corte de cabelo, barba, unhas, além de jogos de memória que estimulam o pensamento dos velhinhos.

A cada três vezes por mês, grupos de voluntários praticam ação no antigo lixão de Aparecida de Goiânia, com o projeto O que você quer ser quando crescer. “Levamos um profissional para falar sobre a área dele e instruir as crianças sobre”, conta Rejane. Além disso, as crianças também recebem aulas de português e matemática. “Aplicamos metodologias bem divertidas, uma vez que 25 crianças de lá do lixão são analfabetos funcionais”, explica.

Trabalhos voluntários também são desenvolvidos no Residencial JK, em Goiânia. Teatro interativo, e uma biblioteca itinerante, com troca de livros, são levados todos os meses para as pessoas carentes da região, com intuito de estimular o conhecimento e levar alegria aos moradores.

Foi por meio das redes sociais que a estudante de Pedagogia, Emilly Thais, de 23 anos, conheceu os trabalhos feitos pelo Ensinando Abraçar. “Ficava olhando as fotos pela internet, querendo muito poder fazer parte de tudo aquilo, mas não queria ir sozinha. Até que fui para o Instituto Federal de Goiás (IFG), e lá, em uma conversa com amigos, uma amiga me disse que o primo dela fazia parte dessa ONG. A partir disso, juntas, resolvemos fazer parte dessa família”, recorda.

A primeira ação voluntária que a estudante participou foi o Eu Quero, que ocorre uma vez ao ano, onde grupos se reúnem em parques da cidade para conscientizar a população sobre várias doenças e a importância do diagnóstico certo. No local é realizada as doações de sangue e de cabelos. “Essa ação me marcou bastante. Pude ver crianças doando seus cabelinhos para outras crianças. E eu que sempre tive cabelo grande, e ainda não havia tido essa coragem, no calor da emoção também doei meu cabelo”, conta Emilly. "Se eu soubesse que iria me fazer tão bem, tinha cortado antes", completa.

Voluntários recebem roupas, calçados, brinquedos e acessórios de doações da população. Em contrapartida, como pagamento simbólico, elas ganham abraços como gesto de reconhecimento. “Com o passar do tempo, os sorrisos das crianças e a felicidade dos pais começam a nos mover. É muito gratificante. Você começa a dar valor às pequenas coisas da vida”, enfatiza Emilly. 

Para ela, participar de projetos como estes é algo lindo e mágico. “No início, você vai com a intenção de ajudar, mas depois você começa a perceber que é você que está sendo ajudado”. Ela conclui que dar ou compartilhar qualquer coisa material com uma pessoa que precisa traz um retorno satisfatório muito maior. “O sentimento de gratidão começa a pulsar ainda mais no  coração”. 

O engenheiro civil, Julio Cesar Andrade, de 24 anos, conheceu o projeto por meio da namorada, que sempre falava sobre as ações desenvolvidas em instituições. A partir daí, despertou nele o interesse de acompanhar de perto as atividades prestadas pelo Ensinando Abraçar. “Minha primeira ação foi no Residencial JK, com crianças carentes. Percebi que você não está ali só para ajudar, mas para ser ajudado”. Ele conta que no começo foi estranho, mas logo descobriu que o sorriso e o carinho que as pessoas e as crianças passam, tornam tudo gratificante. “A sensação é de você estar se redescobrindo, vendo que o mundo é muito mais infinito do que aquilo que está acostumado a viver no cotidiano, que essa gratidão que enche o coração é algo muito maior e ainda cativa e nos motiva a fazer mais, a participar mais”, revela. Ele acrescenta que conhecer esse projeto realmente mudou a sua vida e o fez olhar com outros olhos para as pessoas.

Marcela Guimarães da Silva, de 19 anos, também faz parte do grupo de voluntários. Para a estudante de Publicidade e Propaganda, não há palavras que descreve o mix de sentimentos, como gratidão e empatia, em participar das ações. “É muito amor. Nada nesse mundo paga os sorrisos que recebemos. Costumo dizer que todo mundo precisa disso na vida. A gente recebe muito mais do que quem doa”, diz. Ela faz parte da ONG há um ano e quatro meses.

Como ser voluntário da ONG Ensinando Abraçar

Hoje, a ONG Ensinando Abraçar possui cinco grupos, cada grupo tem cerca de 100 a 150 pessoas, reunindo ao todo mais de 600 voluntários no projeto. A instituição não recebe doação em dinheiro.

Segundo a coordenadora, Rejane Guimarães, qualquer pessoa pode ser voluntária. Para isso, bastar entrar em contato por meio do WhatsApp, pelo número (62) 99924-8645. A pessoa é adicionada a um grupo no aplicativo, onde recebe as regras de boa convivência. “Toda semana a gente posta as ações com as vagas e o nome do coordenador, aí a pessoa escolhe a área que quer atuar, reserva a vaga, e o coordenador faz um grupo a parte e passa as atividades e o dia marcado", esclarece. A partir daí, os voluntários se reúnem  na sede do Ensinando Abraçar, no Setor Parque Amazônia e seguem paras as ações.

 *Márcio Souza é integrante do programa de estágio do jornal O Hoje, sob supervisão de Naiara Gonçalves

 
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