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Política
Entrevista
10/07/2018 | 06h00
“É preciso investir em inteligência”
Presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol), Paulo Sérgio Alves de Araújo, diz que a categoria enfrenta dificuldades para fortalecer a instituição

Quais propostas os representantes da Polícia Civil vão levar para os candidatos ao governo de Goiás?

Nós temos como principal proposta a valorização da Polícia Civil. Acreditamos que a Polícia Civil, enquanto instituição, tem tido uma desvalorização grande no país todo e não se faz segurança pública apenas com policiamento ostensivo na rua, que no caso é a Polícia Militar. Precisa sim reforçar a Polícia Militar, ter mais policiais na rua, mas se não aplicarmos inteligência nunca vamos resolver o problema. Dizem sempre que a polícia enxuga gelo. 


Prende e o Poder Judiciário solta?

Isso. Se nós planejássemos melhor as ações da polícia como um todo, da segurança pública como um todo, com certeza nós ajudaríamos bastante o Judiciário e o Ministério Público no cumprimento do dever deles. Não estou dizendo que cumprem o dever também de forma magistral, como a polícia também não cumpre, porque faltam condições para todos, mas se nós tivéssemos condições de fortalecer o trabalho da inteligência, de investigação e dar àquele que é o responsável pela investigação o direito de investigar com qualidade, aí sim começaríamos a resolver o problema da segurança pública.


Existem operações, mesmo que isoladas, em conjunto com a Polícia Militar. Esse tipo de parceria pode ser ampliada também para o Tribunal de Justiça ou até o próprio Ministério Público? 

Primeiro você tem que fortalecer as instituições. O Judiciário é uma instituição forte, o Ministério Público é uma instituição forte. Porque que as polícias não podem ser fortes também? Tem que valorizar o profissional, porque um profissional valorizado exerce bem melhor a sua profissão e nós queremos exercer essa função bem melhor. Em todo o Brasil a Polícia Civil precisa ser fortalecida, porque fazemos excelentes operações com excelentes resultados, como no caso do serial killer Thiago, que quem prendeu foi a Polícia Civil, com força tarefa desta instituição. E nós conseguimos fazer este trabalho em diversos crimes, porque juntou uma força tarefa e muitos policiais investigando, mas isso é raríssimo.


A principal questão é a estrutura humana, a quantidade de servidores?

Principalmente estrutura humana, valorização desse profissional que está lá, mas nós também temos problemas de delegacias que são casas improvisadas e não são ambientes adequados para receber a população que vem com problemas sérios.


Qual a meta que se estabelece como sendo a mínima para resolutividade de casos pela Polícia Civil?

Nós deveríamos chegar próximo a 100%, já que a totalidade é impossível. Mas se tivéssemos condições, com certeza chegaríamos a isso. O índice de resolução de homicídios aqui em Goiás é altíssimo, mas é altíssimo em função do desprendimento do policial que muitas vezes deixa sua família de lado para poder investigar. Então a gente tem um índice alto, mas poderíamos ter um índice ainda maior. 


No ano passado o Supremo Tribunal Federal tirou o direito de greve da Polícia Civil. Como o senhor enxerga a possibilidade de buscar essa valorização com essa retirada de direito? Quais as alternativas?

Tem sido muito difícil para todo sindicato. Dentro da Polícia Civil nós temos diversos problemas que vem de Brasília, como essa questão de não podermos mais fazer greve, nós não temos mais o imposto sindical que para sindicatos sérios eram importantes. Há uma política de enfraquecimento daqueles que representam os trabalhadores dentro do Estado, de retirada de direitos. Nós tivemos diversos direitos retirados. Recentemente, a categoria teve seu salário diminuído em 2/3. Criou-se um salário de R$ 1.500. Os policiais que recebem esse salário trabalham como escravos ou recebem uma quantidade monetária que não dá para viver. Como nós vamos lutar contra isso? Estamos judicializando tudo. O salário de R$ 1.500 já está no STF esperando sentença, mas não anda nunca e, aqui no Estado, não temos condições de fazer uma paralisação nem para alertar sobre o assunto, como outro trabalhador poderia ter. temos uma dificuldade sim, mas temos ajuizado tudo e o Sinpol em Goiás é forte e tem a confiança dos trabalhadores da Polícia Civil. 


O concurso em andamento para delegado é uma boa notícia?

É uma boa noticia, mas ao mesmo tempo uma notícia vexatória. O delegado recebe mais de R$ 19 mil por mês, enquanto aqueles que exercem o trabalho no dia a dia, como o agente e o escrivão, receberão R$ 1.800, se sair o novo concurso. É menos de 10% do que recebe um delegado. Há uma diferença entre o trabalho dentro da Polícia Civil e o trabalho no Judiciário e o Ministério Público. Na Polícia civil, o inquérito tem a participação efetiva de todos, não só do delegado. Ele simplesmente preside o inquérito. Mas quem investiga, quem vai em campo, quem formalizada os inquéritos, é o agente e o escrivão de polícia, sem esses dois profissionais e o papiloscopistas para fazer a identificação, o inquérito não sai. 


A redução da maioridade penal é uma solução para a segurança pública?

Não. Eu não sou contra a redação da maioridade penal. Nós temos cada vez mais jovens cometendo crimes, mas isso não vai resolver o problema. O que vai resolver vai ser equipando e valorizando aqueles que fazem segurança pública, dando condições de trabalho para eles. As políticas são amplas nesse sentido. Mas, se você não der condições a quem trabalha com segurança pública, não consegue resolver. É necessário investir em inteligência policial, em investigação. Porque senão sempre enxugaremos gelo. Se não investigar bem, o inquérito vai mal feito porque vai faltar elementos, o Ministério Público não terá um bom instrumento de trabalho e o judiciário não terá o processo completo e o sentimento de justiça não será feito na nossa sociedade. 


Como a polícia civil vai se organizar para eleger representantes neste ano? 

A Cobrapol, que é nossa confederação, passou a fazer um trabalho de emporadoramento do Policial Civil, ou seja, se fazer representada dentro das organizações políticas, como o Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e o poder municipal. E aqui em Goiás o sindicato preferiu não interferir até por questões estatutárias. Os policiais civis criaram uma enquete para escolher alguém. Os policiais civis se organizaram e escolheram uma pré-candidata. Ela tem o apoio de 92% dos policiais civis. Ela é escrivã da Policial Civil de Jataí e tem um apoio forte lá. É a primeira vez que a Policial Civil conseguiu encontrar alguém que tem chance de ser efetivamente eleita. Ela é membro do Sinpol, mas está afastada por questões da justiça eleitoral, mas ela fez um excelente trabalho com os policiais em todo o Estado. Ela é uma candidata legítima dos policiais civis. Existem vários outros pré-candidatos dentro da corporação, mas o apoio se concentrará em torno dela. 


E para deputado federal?

Não temos um representante dentro da categoria, isso engloba os agentes, escrivães, papiloscopistas e etc. Porque representante de delegados tem. O delegado Waldir Soares, por exemplo, é um representante. Inclusive os policiais se aproximaram muito dele. Ele se elegeu sem o apoio dos policiais civis. Mas a aproximação aconteceu por conta da candidata que temos agora. Os policiais querem mostrar para a sociedade que  aquele policial que trabalha lá na rua, esses sim conhecem de segurança pública. (*Especial para O Hoje) 

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