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Política
Jogo de xadrez
11/06/2018 | 06h00
Pesquisa confirma polarização
Crescimento de José Eliton e recuo de Ronaldo Caiado, conforme o Serpes, aponta para o protagonismo entre o tucano e o democrata

Venceslau Pimentel


Na política - em particular durante pleitos eleitorais - assim como no jogo de xadrez, as peças vão se movimentando ao longo da partida, até que, ao final do processo a acomodação vai se dando de certa forma natural, dependendo da habilidade de seus jogadores. Mas caso a habilidade não se vire tropeço, as surpresas tendem a aparecer. No caso de uma eleição, isso se dá a favor do candidato governista ou ao da oposição. Xeque mate!

Como se vê, pelo resultado da segunda rodada da pesquisa Serpes/O Popular, o campo ainda está aberto a várias possibilidades, ou seja, nada está definido. Mesmo porque, as eleições (primeiro turno) só vão acontecer daqui a pouco menos de quatro meses, no dia 7 de outubro. Depois, o eleitor mantém certa equidistância do processo, por conta do seu descontentamento, e mesmo desânimo, diante de denúncias de corrupção envolvendo os principais nomes da política brasileira. 

Alguns estão presos, a exemplo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (MDB), e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB). Em todos os casos, há denúncias de pagamento de propina, resultado do desvio de dinheiro público. Ou seja, tudo bancado pelo contribuinte, por meio de pagamento de impostos. O mar de lama tem sido mostrado diariamente por meio das investigações, por exemplo, da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Esse quadro que mostra a indignação do eleitor está representado nos números dos entrevistados que responderam que vão votar em branco ou anular o voto (17,6%), e também os que se dizem indecisos (23,1%). Juntos, somam 40,7%. Faltaram apenas 9,3 pontos percentuais para se atingir 50% dos entrevistados.

Mas apesar desse cenário, que ainda não conseguiu mobilizar os eleitores, as pesquisas, em Goiás, já indicam uma polarização entre o governador José Eliton (PSDB) e o senador Ronaldo Caiado (Democratas). No levantamento estimulado, em que se apresenta ao entrevistado uma lista com os nomes dos pré-candidatos, Caiado lidera com 38% das intenções de voto, seguido pelo tucano, com 10%, que está se descolando do emedebista Daniel Vilela, agora posicionado na terceira colocação, com 5,6%.

Com a movimentação das peças, no caso, dos governadoriáveis, o sobe e desce nas pesquisas vão acontecer até chegar ao momento do voto do eleitor. Se comparado aos números da primeira rodada, divulgados no início de abril, Caiado caiu 1,7%; Eliton cresceu 3,3 pontos percentuais. 

Os números se apresentam mais significativos se comparados à pesquisa encomendada pela Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg) e divulgado pelo O Popular, em dezembro de 2017. O senador democrata tinha 44%; seguido de Daniel Vilela, com 12,1%; e Eliton com 6,2%. De lá para cá, Caiado caiu seis pontos percentuais, e o governador subiu 3,8%. Já o emedebista registrou a maior oscilação, caindo 6,5%, perdendo, assim, a segunda posição.

Cientista políticos ouvidos pelo O Hoje, desde a divulgação da primeira pesquisa sobre a intenção de votos dos goianos em relação à corrida sucessória, já apontavam para uma possível polarização entre Caiado e José Eliton. Conseguiram projetar que Caiado se posicionaram como candidato de oposição de maior musculatura, deixando Daniel Vilela como nome de uma provável terceira via. Médico de profissão, o democrata ganhou visibilidade de 1986 a 1989, como presidente da União Democrata Ruralista (UDR), entidade que defende os interesses de produtores rurais do país.  Nas eleições de 1989, candidatou-se à Presidência da República, e foi derrotado. Dono de cinco mandatos de deputado federal, em 1994, disputou o governo do Estado, pleito vencido por Maguito Vilela. Em 2014, venceu a disputa para o Senado.

Por seu turno, José Eliton ingressou na política nas eleições de 2010, como vice- governador na chapa majoritária encabeçada por Marconi, pelo DEM. Continuou na mesma função nas eleições seguintes, de 2014. Nesse período, assumiu a presidência da Celg (hoje Enel), e comandou as secretarias de Desenvolvimento e a de Segurança Pública. Em seguida, passou a coordenar o programa Goiás na Frente. Assumiu o governo em abril deste ano, com a desincompatibilização de Marconi. Com a caneta na mão, passou a ter mais visibilidade política, como mostra a pesquisa Serpes. 


MDB fora do protagonismo sucessório 

A confirmar a tendência do levantamento Serpes, tudo indica que o MDB vai perder o protagonismo no processo sucessório estadual, status que vinha carregando desde as eleições de 1998, quando Iris Rezende (hoje prefeito de Goiânia), disputou e perdeu para o tucano Marconi Perillo. Em 2002, Marconi e Maguito travaram disputa, mas o emedebista acabou sendo derrotado.

A curva fora da linha nesse protagonismo se deu em 2006, quando o então vice-governador, Alcides Rodrigues, à época filiado ao PP, venceu a eleição contra Maguito. No entanto, cabe ressaltar que Cidinho, como é conhecido, teve o apoio de Marconi.

Os dois partidos assumiram novamente o protagonismo nas duas eleições seguintes, em que Marconi derrotou Iris, em 2010 e 2014. Agora, pelo o que se vê, o MDB seguirá, pela primeira vez, como coadjuvante nas eleições, com Caiado quebrando a polarização de 20 anos.

Daniel Vilela, que preside o diretório estadual emedebista, perdeu musculatura política com a dissidência no partido, que tirou dele palanque em Formosa, de Ernesto Roller; em Goianésia, de Renato de Castro; em Turvânia, de Fausto Mariano; em Rio Verde, de Paulo do Vale; e em Catalão, de Adib Elias. O grupo dos cinco declarou apoio a Ronaldo Caiado, provocando um racha nunca visto no partido, desde 1998. Para tentar fortalecer sue nome, Vilela conta com o apoio do seu pai, Maguito, para fechar alianças, por exemplo, com o PP do ministro das Cidades. Alexandre Baldy. 

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