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Economia
Foco Econômico
11-04-2019 | 20h10
Usinas de Goiás vão destinar quase 83% da cana a ser colhida nesta safra para etanol
Lauro Veiga

Nas previsões combinadas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Goiás deverá colher na safra 2019/20, recém iniciada, algo em torno de 69,8 milhões de toneladas de cana, num avanço de 1,02% em relação ao volume colhido no ciclo encerrado em março deste ano. Confirmando uma tendência observada desde o ciclo anterior, perto de 82,8% da cana deverão ser destinados ao processamento de etanol, que deverá ter sua produção elevada de 5,06 bilhões para 5,28 bilhões de litros (4,36% a mais). Com preços ainda sob pressão no mercado internacional, diante de estoques elevados e oferta maior, sobretudo na Europa, Tailândia e Índia, a produção goiana de açúcar tende a repetir 1,75 milhão de toneladas, mesmo volume processado em 2018/19.

O mercado de etanol vem embalado desde o ano passado, quando as vendas experimentaram salto de 48,4% no Estado (superando o aumento médio de 42,1% acumulado em todo o País). Por aqui, as distribuidoras venderam quase 1,517 bilhão de litros do hidratado nos 12 meses de 2018, marcando novo recorde, diante de 1,022 bilhão de litros em 2017. Nos dois primeiros meses deste ano, as vendas subiram 28,1% frente a igual período de 2018 (desta vez, abaixo do aumento de 37% na média de todo o País), saindo de 201,28 milhões para 257,92 milhões de litros, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O País, de forma geral, deverá repetir a produção de cana da safra 2018/19, talvez com algum incremento na produção de cana, recuperação na oferta de açúcar e possivelmente novo recorde na produção de etanol, que pode superar 33,5 bilhões de litros, na projeção da consultoria Datagro – o que confirmaria uma safra ainda “alcooleira”. No ciclo 2018/19, as expectativas do setor foram superadas e a participação do etanol na cana destinada à moagem pelas usinas da região Centro-Sul aproximou-se de 64,80%, percentual mais elevado na série histórica, saindo de algo em torno de 53,54% no ciclo anterior, nas estatísticas coletadas pela União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica).

Safra alcooleira

A diferença de praticamente 11,2 pontos de porcentagem entre um ciclo e o seguinte, observa Plínio Nastari, da Datagro, foi a mais substancial anotada pelo setor até aqui. “Anteriormente, o máximo observado havia sido de 5,6 pontos”, afirma ele.O volume de cana moído pelas usinas da região Centro-Sul, que responde por 93% da produção brasileira, baixou de 596,33 milhões para 573,07 milhões de toneladas entre as safras 2017/18 e 2018/19, numa redução de pouco mais do que 23,2 milhões de toneladas, conforme o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues. Mas a produção brasileira de etanol atingiu nova marca histórica, somando perto de 32,960 bilhões de litros, a mais alta da série histórica, segundo Nastari, incluindo as regiões Norte e Nordeste na conta, em alta de 18,3%.

Balanço

·   Mais relevante, aponta Nastari, a participação do etanol no consumo de combustíveis do Ciclo Otto no País avançou de 38,3% em 2017 para 43,8% no ano passado, chegando a 45,9% no acumulado dos primeiros dois meses deste ano.

·   Nas estimativas da Datagro, desde o começo do Programa do Álcool, em 1975, até o ano passado, a produção de etanol permitiu substituir ao redor de 3,0 bilhões de barris de gasolina equivalente, “em um país onde as reservas de petróleo e condensados somam atualmente em torno de 12,6 bilhões de barris”.

·   Em outra conta, Nastari calcula que a substituição de importações contribuiu para evitar a contratação de uma dívida externa de US$ 420 bilhões em pouco mais de quatro décadas, pouco mais de 9% além de reservas internacionais que somavam US$ 384,17 bilhões em março deste ano. “A substituição de gasolina (por etanol) tende a continuar no mesmo ritmo”, antecipa ele.

·   Os primeiros meses da safra 2019/20 deverão continuar mais “alcooleiros”, esperam Rodrigues e Nastari, podendo ocorrer alguma mudança nessa dinâmica após setembro, quando o setor deverá ter uma visão mais próxima do desempenho da produção global de açúcar, especialmente na Europa e na Ásia e, neste continente, sobretudo da Índia e da Tailândia.

·   Mas os problemas persistem. Estima-se que 30% das usinas ainda enfrentem dificuldades financeiras e 20 delas poderão pedir recuperação judicial nos próximos 12 meses. A dívida do setor cresceu entre 5% e 10% e as margens foram mais curtas em 2018/19, ampliando o fosso entre os grupos menos endividados e o restante das usinas.

 
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