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Economia
Foco econômico
22-02-2019 | 20h30
Mercado de trabalho em Goiás ainda sofre com estagnação do emprego com carteira
Lauro Veiga Filho Especial para O Hoje

A melhora relativa anotada pelo mercado de trabalho em Goiás no último trimestre do ano passado continuou a refletir, paradoxalmente, uma deterioração das condições de emprego na economia. O ligeiro avanço no número de pessoas ocupadas e o recuo no total de desempregados foram alcançados sobretudo em função do incremento observado no contingente de pessoas que trabalham por conta própria, em ocupações precárias, sem direitos e garantias, e ainda pelo aumento no número de empregadores sem registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), tão informais quanto empregados sem carteira e por conta própria.

O total de pessoas trabalhando como empregadores e por conta própria sem o CNPJ, o que não lhes assegura férias, 13º e acesso à Previdência, entre outros direitos, avançou de 696,0 mil no terceiro trimestre do ano passado para 716,0 mil nos três meses seguintes, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso representou uma elevação de 2,9% ou 20,0 mil pessoas a mais. Para se ter uma ideia da dimensão desse dado, o total de pessoas ocupadas no Estado passou de 3,293 milhões para 3,327 milhões no mesmo intervalo, numa variação de apenas 1,0% (ou seja, 33,0 mil ocupados a mais). Como se percebe, o aumento do número dos “sem CNPJ” respondeu por 60,6% do crescimento anotado pelo total de ocupados na economia goiana. São esses movimentos que estão por trás da redução da taxa de desemprego de 9,4% no final de 2017 para 8,2% no quarto trimestre de 2018.

E ainda piora

Os números são ainda piores quando comparados a último trimestre de 2017. O total de ocupados cresceu 1,3% no período, saindo de 3,285 milhões de pessoas no quarto trimestre daquele ano, com a entrada de 41,0 mil pessoas para o grupo. Desses, em torno de 38,0 mil pessoas (ou 92,68%) passaram a engrossar o contingente de ocupados por conta própria. Além disso, 51,2% das contratações ocorridas entre o quarto trimestre de 2017 e igual período do ano passado podem ser explicadas pelo crescimento do número de pessoas sem carteira assinada. Na mesma comparação, os empregos com carteira literalmente não cresceram – ao contrário, registrou-se mesmo uma leve redução, de 1,237 milhão para 1,232 milhão de pessoas. Pode-se inferir, com base nos dados da PNADC, que a maior parte dos informais encontrou colocação no setor de serviços, que passou a responder por praticamente metade do total de ocupações no Estado (49,89% mais precisamente), diante de uma participação de 48,5% no final de 2017.

Balanço

·   Na verdade, o peso maior da informalidade deu a tônica para o mercado de trabalho ao longo de todo o ano. Na média do ano passado, a taxa de desocupação baixou para 9,2% saindo de 10,6% em 2017. Para comparação, em 2014, o desemprego havia alcançado 5,3%.

·   O número de pessoas desocupadas desabou 12,8%, de 382,0 mil para 333,0 mil (49 mil a menos), diante da variação de 1,6% registrada, na média, pela população ocupada, que saiu de 3,234 milhões para 3,286 milhões no ano passado (52 mil a mais).

·   O crescimento na ocupação, no entanto, foi puxado pela alta de 4,8% no número de trabalhadores sem carteira e pelo aumento de 3,6% no pessoal ocupado por conta própria. Os “sem carteira” avançaram de 682 mil para 715 mil (33 mil a mais) e os ocupados por conta própria de 798 mil para 827 mil (29 mil a mais).

·   A informalidade medida pelo contingente de ocupados sem carteira e sem CNPJ aumentou 2,8% no ano passado (de 1,375 milhão para 1,413 milhão) e respondeu por mais de sete entre cada 10 ocupações abertas, com 38 mil novos ocupantes.

·   O pessoal com carteira assinada, entre empregados dos setores público e privado e trabalhadores domésticos, passou a responder por apenas 37,61% do total de ocupados, diante de 40,17% em 2016.

·   A fatia da indústria em geral no total de ocupados, da mesma forma, murchou de 15,72% em 2012 para 13,18% no ano passado, mantendo a participação registrada em 2017 (13,20%).

A massa total de rendimentos, que havia crescido 7,2% em 2017, avançou 0,63% em 2018, com acréscimo de R$ 42,750 milhões ao total de rendimentos recebidos pelos ocupados, menos de um décimo do acréscimo anotado em 2017. 

(62) 3095-8700