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Cultura
humor
12-04-2019 | 06h00
‘Filho da Mãe’: amor, música e muitos casos
Nova produção de Paulo Gustavo, com sua mãe, Déa Lúcia, estreia neste sábado (13) no Teatro Rio Vermelho

GUILHERME MELO* 

Conhecido pelo seu humor em tom de deboche, Paulo Gustavo vem emplacando, há nove anos, sucesso atrás de sucesso, se dividindo entre os palcos, a TV e as telonas do cinema. Neste sábado (13), o artista retorna a Goiânia com mais um sucesso. Ao lado de sua mãe, Déa Lúcia, o espetáculo Filho da Mãe estreia na cidade, às 21h, no Teatro Rio Vermelho. O show apresenta o comediante e sua mãe, cantando e contando histórias do dia a dia, que teve sua estreia nacional, no último sábado (6), no Ginásio Caio Martins, em Niterói, com ingressos esgotados. A turnê, depois de Goiânia, vai passar por São Paulo, Campinas, Santos, Brasília, Belo Horizonte, Novo Hamburgo, Porto Alegre, João Pessoa, Recife, Rio de Janeiro e Curitiba, levando a rotina cômica de sua família. 

Com a adaptação para o cinema de Minha Mãe é Uma Peça (2013), o ator levou ao cenário nacional a personagem Dona Hermínia, uma das mães mais cômicas da sétima arte. A personagem, que veio do teatro, é uma inspiração direta de Déa. Segundo o artista, a mãe sempre foi uma das suas maiores inspirações. “Hermínia foi a minha primeira personagem de grande sucesso, que foi para a TV, o palco e os cinemas. Acho que esse sucesso todo veio por conta da minha grande inspiração, minha mãe. Ela sempre foi uma mulher muito forte, por criar eu e minha irmã sozinha; trabalhava, estava presente nos estudos, nos namoros e tudo mais. E o que eu mais admiro nela é que, passando por tudo isso, nunca perdeu a graça da vida; sempre foi muito alegre, muito viva”, explica Paulo Gustavo ao Essência. 

Com o objetivo de presentear dona Déa Lúcia, o comediante montou um espetáculo que resgatasse o passado dela, que teve uma carreira de cantora até o início dos anos 2000. Dividido em blocos temáticos, o espetáculo começa com padrões de Bossa Nova, como O Barquinho e Lobo Bobo, dentre outras lembranças afetivas do passado musical deles, como Faceira, canção de Ary Barroso que Paulo gostava de ouvir a mãe cantarolar na infância. Entre uma brincadeira e outra, eles prepararam um set em que vão interpretar hits de boate, cada um de sua época. É quando se misturam sucessos de Wanderléa, como a música Pare o Casamento, com canções de Anitta e Preta Gil.

“Mamãe é uma figura! Sempre foi uma pessoa engraçada, divertida, espirituosa, escrachada e amorosa. Esse espetáculo é uma forma de homenagear a mulher que tanto amo, que sempre esteve do meu lado. Ela dava muito esporro na hora que tinha que dar, mas é muito cuidadosa e amorosa também”, explica Paulo Gustavo.  A apresentação conta com a direção musical de Zé Ricardo, cenografia de Zé Carratu, iluminação de Marcos Olívio e figurino de Felipe Veloso. E a banda é formada por Claudio Costa (guitarra), Marcelo Linhares (baixo), Mauricio Piassarollo (teclado) e Wallace Santos (bateria). 

Relação de amor

Paulo Gustavo explica que sua mãe sempre quis ser cantora, mas a rotina do dia a dia adiava esse sonho. “Poxa, ela trabalhava como professora, foi corretora de imóveis, trabalhou com contabilidade... Minha mãe era a famosa mulher brasileira ‘faz de tudo’, e ainda se dedicava à família. Com essa correria, ela acaba deixando ela de lado, e ia adiando, cada vez mais, sua carreira musical”, revela. 

O artista lembra que dona Déa cantava, quando eles eram crianças, como uma forma de renda extra. “Quando precisava nos sustentar, trabalhava em colégios durante o dia e cantava à noite, mas eram pequenas apresentações”, conta. Como um bom filho, o comediante diz que preparou todo o espetáculo para dar a oportunidade à mãe – para que ela se sentisse uma das estrelas da Broadway. “Ela nunca fez um show assim, em teatro, com produção, cenário e banda. Quis dar este presente e fazer esta homenagem para ela, afinal ela já fez tantos sacrifícios para nós (os filhos), ela merece”, ressalta o artista, emocionado. 

Além de homenagear sua mãe, Paulo Gustavo desenvolveu espetáculos que conversam diretamente com as mães e as famílias. “Essa peça se tornou, além de uma homenagem para dona Déa, uma homenagem para todas as mães do Brasil. Às nossas guerreiras, que lutam todos os dias para um futuro melhor para suas famílias”, comenta. A representação de personagens femininas, com tanta força, para o artista, é o que provoca a identificação, e esse foi um dos objetivos dele ao produzir o espetáculo. “Recebo mensagens de pessoas falando que suas mães se parecem com a ‘Dona Hermínia’ ou a dona Déa, isso porque são mulheres do nosso dia a dia, que sofrem, choram, riem como qualquer uma”, comenta. 

O artista comenta o quanto sua mãe o apoiava, tanto na vida profissional, como na pessoal. “Minha família, minha mãe é maravilhosa. Sempre foi muito preocupada com os estudos dos filhos, preocupadas com que eu e minha irmã iríamos fazer da vida. Sempre aconselhou a ser pessoas éticas e honestas, e fala aquilo que tinha para falar; mamãe nunca teve papas na língua”, brinca. Paulo ainda fala sobre como sua mãe o respeitou na orientação sexual. “Ela tinha medo de os filhos se envolverem com coisas erradas, como drogas, prostituição, crimes, essas preocupações de mãe. Ela nunca se importou com quem eu dormia ou deixava de dormir; sempre me respeitou muito, isso foi fundamental na minha vida”, ressalta. 

Paulo montou o espetáculo com todo o cuidado para que a mãe se sentisse confortável, tomando cuidado até mesmo com algumas brincadeiras. Mas dona Déa, como uma boa mulher brasileira, não está muito preocupada não. “Ele acha que vou ficar sem graça com as brincadeiras, mas vou deixá-lo ‘louco’ no palco!”, promete Déa Lucia, em entrevista à imprensa. 

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob supervisão 

da editora Flávia Popov 

SERVIÇO

Espetáculo ‘Filho da Mãe’

Quando: sábado (13) às 21h

Onde: Teatro Rio Vermelho (Rua 4, nº 1.400, Centro de Goiânia)

Entrada: de R$ 50 a R$180 

(62) 3095-8700