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Cultura
RESENHA
25-03-2019 | 06h00
Liniker lança álbum que conta com 13 canções amadurecidas em sua turnê internacional
A capa de Goela Abaixo foi produzida pela artista mineira Domitila de Paulo, e representa a nova fase de Liniker

Aumentando a fama de representatividade, Liniker lançou, no último fim de semana, seu segundo disco, Goela Abaixo, que trabalha como um grito da voz feminina. 

Depois da repercussão de seu primeiro disco, Remonta, em parceria com Caramelows, a cantora foi ao alto, cantando no Rock in Rio e no Lollapalooz, além da turnê internacional que passou por cerca de 20 paises.

A capa de Goela Abaixo foi produzida pela artista mineira Domitila de Paulo, e representa a nova fase de Liniker. O álbum conta com 13 canções amadurecidas em sua turnê internacional. Com 23 anos, a artista trabalha com suas experiências, sendo músicas autobiográficas. O disco carrega leveza, deixando o ouvinte mais tranquilo. 

“Fico feliz de poder trabalhar com a minha contemporaneidade ativa”, afirma Liniker em entrevista ao jornal Extra, acrescentando: “É sobre se cuidar. Sinto que a maturidade é o ponto forte desse álbum. Tanto a maturidade sonora quanto a de experiências que cada um de nós da banda teve na estrada. Para mim, maturidade enquanto compositora e enquanto mulher”, conta. 

A borboleta da capa representa uma metáfora de Liniker, que é ídolo de uma geração que se vê nela representada, e fez-se, também, símbolo de liberdade. 

A cantora trabalha como o preconceito de cor e sexualidade não ficou velado, ao contrário. “Este meu caminho de verdade e prosperidade causa um ódio e uma repulsa nos opressores. Há pessoas que tentam diminuir o brilho da minha existência. Resistir e criar laços com a música é o que me põe forte” confessa ela em nota. 

Para Liniker, esse trabalho tenta evitar uma postura de pessoa única, sendo que, atualmente, as pessoas de potências artísticas e pensadoras levam a existência para um outro lugar. “Fico feliz que as pessoas se enxerguem no meu trabalho e, a partir disso, criem suas próprias histórias e vírgulas”, agradeceu o artista ao site Uol.

A nova fase deLiniker está traduzida, nas novas músicas, de maneira muito sensual, como já virou marca de seu trabalho. Acompanhadas de arranjos que fazem seu R&B e soul music cada vez mais elegantes, as letras descrevem intimidades detalhadamente. Na faixa Textão, sem melodia e oitava do álbum, ela reforça a ideia de que um ato sexual deve durar mais que 15 minutos. “Quando é bom, o prazer, de modo geral, não deve ter tempo pra acabar”, filosofa a cantora, que diz estar em um relacionamento sério, mas sem revelar a identidade de sua companhia. “Estou namorando, sim. Demorou para que eu conseguisse ter um laço afetivo seguro, como tenho hoje. As pessoas tinham medo de se aproximar, ainda mais por eu ser uma mulher trans. Agora, estou feliz numa relação que tem me feito bem. É isso o que tenho a dizer”, afirma a cantora em outra entrevista à imprensa. 

Liniker já realizou parcerias com Rafael Barone (baixo), Pericles Zuanon (bateria), William Zaharanszki (guitarra), Renata Éssis (backing vocal), Marja Lenski (percussão), Fernando TRZ (teclados) e Éder Araújo (saxofone) – que formam o time Os Caramelows – e contou com a participação de mulheres especiais nesse novo trabalho. A faixa Beau, gravada em Berlim, na Alemanha, tem o registro vocal das ganesas Florence Adooni e Lizzy Amaliyenga. A carioca Mahmundi uniu-se criativamente à paulista em Bem bom. E Goela traz um coro poderoso, formado pelas cantoras Josyara, Juliana Strassacapa, Ayiosha Avellar, Natália Nery, Grasielli Gontijo, Tássia Reis, Mel Gonçalves, Lina Pereira e Renata.

Para a cantora, era muito importante que fosse um trabalho feito para essas feminilidades e essas existências, para que se sintissem ressignificadas e legitimadas em algum lugar. “São pessoas que já fazem parte do meu convívio, a gente se fortalece junto. Construir essa obra com esse viés me traz esperança por saber que estamos escrevendo História”, ressalta Liniker, que também registrou faixas em Lisboa (Portugal), no Estúdio da Estrela (do casal Mallu Magalhães e Marcelo Camelo), e em São Paulo, em sua casa. “Hoje, quando eu estou na minha sala, me lembro da gente gravando Intimidade e Claridades. Lá e é muito gostoso; as coisas se ressignificam até na minha intimidade. A melhor definição para esse álbum é que ele é íntimo e internacional”, informou ao jornal Extra.

Goela Abaixo tem como destaques o intenso significado de ‘goela’, que fecha o álbum com um coral feminino formado por Josyara, Juliana Strassacapa, Ayiosha Avellar, Natália Nery, Grasielli Gontijo, Tássia Reis, Mel Gonçalves e Lina Pereira, além de Renata Éssis (integrante dos Caramelows), cantando sobre respeito à mulher. 

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob supervisão da editora Flávia Popov

 

(62) 3095-8700