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Cultura
livro
10/10/2018 | 06h00
‘Páginas com textura de graxa e aroma de óleo, pneus e gasolina’
Livro ‘Irmãos dos Ventos’, lançado recentemente, retrata histórias de apaixonados por motocicletas

SABRINA MOURA* e GABRIELLA STARNECK

(Especial para o hoje)

O motociclismo abrange tudo o que diz respeito a conduzir uma moto e se trata também de uma modalidade que é própria para esportes ou lazer. Recentemente lançado sob autoria do jornalista Dário Álvares, e produção visual de Lethicia Cerrano, o livro Irmãos dos Ventos traz a história de pessoas apaixonadas por esses veículos de duas rodas. 

Segundo Dário, o Irmãos dos Ventos é o resultado da instável união do profissional – escrever – com o passional, pilotar motocicletas. “Na verdade, se tratava de uma matéria sobre motociclismo em Goiânia, mas a coisa foi crescendo e ficando cada vez mais divertida. Quando percebi, a brincadeira estava maior do que eu imaginava e pensei: ninguém vai publicar um ‘troço’ desse tamanho (risos). Continuei o passeio, e a matéria virou livro”, afirma ele.

O primeiro contato do autor com uma motocicleta foi aos 14 anos de idade. Após persistentes pedidos aos pais, que sempre relutavam, uma Yamaha RX 80 vermelha, modelo carinhosamente conhecido como ‘Oitentinha’, aportou na garagem da sua casa. “Depois disso, não parei mais. Comecei a ler revistas especializadas, ver filmes, programas e, claro, andar muito no lombo de uma motocicleta”, relembra Dário.“Hoje, com a internet e as redes sociais, isso se tornou mais intenso. Mantenho contato com motociclistas de várias partes do mundo, vejo vídeos, reviews de lançamentos, participo de fóruns de debates”, completa ele.

Dário relembra que sua relação com o veículo não foi incentivada ou inspirada por alguém, especificamente, mas acredita ter sido impulsionado pelo filme Easy Rider – Sem Destino, um dos mais cultuados roadmovies da contracultura, estrelado por Dennis Hopper e Peter Fonda. “Ainda adolescente, assisti ao filme e pirei. Vi oito vezes. Sei a maioria dos diálogos de cor (risos). Era um grito forte contra a opressão, o conservadorismo, a intolerância com o diferente. Um grito que eu jamais ouvira e amei intensamente ter ouvido. E as motocicletas faziam parte desse movimento”, explica ele.

Embora Dário seja um apaixonado pela modalidade, ele afirma que viaja de moto, muito menos do que gostaria, e que a maior distância será a que ele ainda vai percorrer. Para conciliar seu hobby, o escritor e jornalista pilota diariamente. “Vou e volto para o trabalho na moto, geralmente cantando (risos). Estou sempre à espera da chegada do fim de semana ou das férias para que eu possa olhar a máquina e repetir o mantra: ‘bora rodar’!”, esclarece.

O livro

Irmãos dos Ventos é um livro-reportagem que conta histórias de pilotos e motocicletas em Goiânia, desde meados de 1950, com as corridas no circuito de rua realizadas na Praça Cívica – nas Avenidas Goiás, Anhanguera e Araguaia. Os pioneiros do motociclismo em Goiás falam da criação do autódromo internacional da Capital; das etapas do Grande Prêmio Internacional de Motociclismo realizadas em Goiânia na década de 1980; dos pilotos goianos que se destacaram no Brasil e no mundo. 

Trata-se também de pilotagem segura e defensiva, dos riscos de andar sem equipamentos adequados, e enfatiza que lugar de correr é em pistas dos autódromos. O livro tem também fotos históricas e inéditas. Enfim, reúne narrativas de pessoas que amam a liberdade, o vento, o sol, a amizade, máquinas nervosas e a linha do horizonte riscando a estrada. 

Seu processo de escrita – como conta Dário – foi de forma tranquila, suave e prazerosa. “Pesquisei e escrevi sobre um tema pessoalmente apaixonante, entrevistei pessoas interessantes e ‘malucas’. Foi quase tão bom quanto pilotar uma motocicleta (risos)”. 

Moto Clubes

Os moto clubes, também denominados moto grupos, são constituídos e organizados por aqueles que apreciam a modalidade, estabelecendo relações de camaradagem, amizade e promovendo a socialização. Na opinião de Dário, os moto clubes contribuíram – e ainda contribuem – para mudar a imagem equivocada de parte da sociedade com relação ao motociclista e ao motociclismo. São variados perfis de vida orbitando entorno da paixão por máquinas e viagens.

Dário Álvares explica que a motocicleta coloca piloto e passageiro em posição mais vulnerável em relação ao trânsito. Portanto a segurança deve estar sempre em primeiro lugar. “No livro, dediquei todo um capítulo ao tema Pilotagem Segura. Não canso de repetir: usem sempre todos os equipamentos de segurança. Capacetes de cores vivas com adesivos refletivos e bem justos à cabeça, blusão de couro ou de tecido resistente, luvas de couro, calças compridas de tecidos resistentes, botas de couro e cano alto são acessórios indispensáveis à segurança de piloto e passageiro. E isso vale para uma viagem ou para a ida à padaria da esquina. Vários levantamentos mostram que a maioria dos acidentes acontece nos primeiros ou últimos quilômetros do trajeto, quando o piloto ou motorista está desatento, mais relaxado”.

Dário possui grande respeito e admiração pela galera dos moto clubes, mas confessa que a sua vibe de pilotar é um ato solitário, poético e quase filosófico. “Minha alma anárquica também não se adequa bem às regras necessárias ao bom andamento de um moto clube, a trajetos pré-determinados, hierarquias, horários de saída e chegada. Às vezes, saio com a ideia inicial de ir à uma determinada cidade, e, no posto, ao abastecer, mudo o trajeto completamente. Para mim esse é um dos encantos do motociclismo”, finaliza ele. 

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação da editora Flávia Popov 

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