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Cidades
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14-03-2019 | 19h30
Grupo é condenado a prisão por extorquir padre Robson
Segundo denúncia do MP, padre Robson de Oliveira pagou mais de R$ 2 milhões para não ter informações íntimas divulgadas

Higor Santana*

O juiz Ricardo Prata, da 8ª Vara Criminal de Goiânia, condenou cinco pessoas acusadas de extorquir mais de R$ 2 milhões do padre Robson de Oliveira Pereira, em março de 2017. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), a quadrilha invadiu o aparelho celular e computadores do sacerdote, e exigiu dinheiro para que não divulgasse imagens e mensagens eletrônicas com informações pessoais, amorosas e profissionais do padre.

Elaborada por promotores do Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GCEAP), a investigação apurou que padre Robson chegou a transferir R$ 2 milhões das contas bancárias da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) para as contas bancárias indicadas pela quadrilha. 

Posteriormente, também foram realizados pagamentos de quantias que variaram de R$ 50 mil a R$ 700 mil. Nestes casos, o dinheiro era deixado dentro de um veículo, um Volkswagen Gol, estacionado na porta de um condomínio de luxo da Capital, ou em uma caminhonete, estacionada em um shopping na região central da cidade.

Segundo o titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), Kleyton Manoel Dias, as extorsões que tiveram início em março de 2017, e através das investigações, foi comprovado que Welton Ferreira Nunes Júnior e Túlio Cezar Pereira Guimarães, invadiram os aparelhos eletrônicos do padre para obter as informações. Usando perfis falsos, eles se apresentaram como detetives que haviam sido contratados para investigar o presbítero e passaram a exigir dinheiro para não divulgarem o que haviam descoberto e destruírem as informações.

A denúncia mostrou ainda que, no dia 31 de março foi realizada a transferência bancária de R$ 2 milhões para duas contas bancárias, sendo R$ 1 milhão para cada uma, mas o dinheiro acabou sendo bloqueado. A partir de então, a exigência passou a ser a entrega de valores em envelopes.

Prisão

No dia 29 de abril, foi combinada a entrega de R$ 700 mil em espécie em um imóvel no Setor Leste Universitário. Na ocasião, o emissário enviado para receber os valores foi preso e levou os policiais ao local onde os demais integrantes da organização criminosa poderiam ser encontrados.

Foram condenados, além de Welton e Túlio Cezar, Lidina Alves de Bessa a 13 anos, 3 meses e 10 dias de reclusão e 36 dias-multa, Elivaldo Monteiro de Araújo a 8 anos e 8 meses de reclusão e 20 dias-multa, e Deusmar Gonçalves de Bessa a 9 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão e 23 dias-multa.

A Afipe afirma que a entrega do dinheiro foi orientada e supervisionada pala Polícia Civil a fim de identificar e localizar todos os criminosos. A Associação diz ainda que não teve nenhum prejuízo financeiro e todo o valor já voltou para a instituição. A entidade diz ainda que a polícia fez perícia em todo o material usado para extorquir o padre e concluiu que as mensagens foram criadas por aplicativos e sites próprios para simular conversar e criar fakenews.

Padre Robson

Dividido pelo gosto dos fiéis, Padre Robson de Oliveira foi reitor do Santuário Basílica em Trindade pela primeira vez entre 2003 e 2014. Nesses 11 anos, criou a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), com o objetivo de difundir a devoção ao Divino Pai Eterno. Uma das principais atribuições da Afipe é organizar a festa em louvor ao Divino Pai Eterno, o segundo maior evento católico do país. 

Em outubro de 2014 foi eleito pelos seus confrades para ser o Superior Provincial dos Redentoristas de Goiás, cargo em que atuou de janeiro de 2015 a dezembro de 2018. Em janeiro deste ano, retomou os trabalhos na reitoria da Basílica de Trindade, assumindo o lugar do padre Edinisio Gonçalves Pereira Vieira, que estava à frente da reitoria desde 2015. (Higor Santana é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian)

 

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