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11-02-2019 | 06h00
Cresce o número de matrículas de estudantes com necessidades especiais
Cresce o número de estudantes com necessidades especiais

Jefferson Santos

Segundo dados do Censo Escolar, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre 2014 e 2018, cresceu em 33,2% o número de matrículas de estudantes com necessidades especiais. No ano de 2014, eram 887 mil alunos com deficiência, altas habilidades e transtornos globais do desenvolvimento matriculados nas escolas brasileiras. Em 2018 chegou a cerca de 1,2 milhão. Nos dois últimos anos, entre 2017 e 2018, o aumento foi de aproximadamente 10,8% nas matrículas. 

De acordo com a lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil deve incluir todos os estudantes de 4 a 17 anos na escola. Os estudantes com necessidades especiais devem ser matriculados preferencialmente em classes comuns, ou seja, em escolas públicas. Para isso, o Brasil deve garantir todo o sistema educacional inclusivo, salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.

Conforme mostrou o Censo, 38,6% das escolas públicas de ensino fundamental e 55,6% das privadas têm banheiros para pessoas com necessidades especiais. Além disso, também no ensino fundamental, 28% das escolas públicas e 44,7% das particulares têm dependências adequadas para pessoas com necessidades especiais. No ensino médio 60% das escolas públicas e 68,7% das escolas particulares dispõem de banheiro especial e 44,3% das públicas e 52,7% das privadas têm dependências adequadas.

Pedro Lucas Paczkouski Brocenelli, de 15 anos, morador de Abadia de Goiás, cidade localizada há 23 km de Goiânia, nasceu prematuro, de oito meses, e com isso teve mielomeningocele, que é uma má formação na coluna, e que por conta disso, os movimentos do tornozelo para baixo estão paralisados. 

Ele, que entrou na escola com 4 anos, conta que a principal motivação que ele tem em estudar é o sonho de ser biólogo marinho. “Eu sempre foco nos meus objetivos, e sempre me pego imaginando muitas coisas para o meu futuro, e isso é o que me motiva a estudar. A minha motivação para estudar é meu sonho de ser um biólogo marinho”, comentou Pedro. 

Em sua rotina diária Pedro acorda às 05h30 e se arruma sozinho para ir para o Colégio Estadual Manoel Libanio Da Silva. Ele afirma que é independente na questão de higiene pessoal. De casa até a escola, Pedro percorre cerca de 5 km, percurso que ele faz sozinho, de cadeira de rodas manual. “Eu gasto 30 minutos da minha casa até o colégio”, reforçou Pedro.

Nas aulas ele consegue acompanhar o restante da turma, já em casa, afirma que existem conteúdos complexos que demandam um pouco mais de tempo, mas que no geral, aprende muito bem. O retorno do Colégio para casa também é feito a pé. “Eu vou e volto do colégio a pé todos os dias, pois eu gosto de ser independente, e também porque o transporte atrasa às vezes quebra. Eu acho isso incômodo, prefiro me virar sozinho”, disse Pedro. 

O colégio onde ele estuda é adaptado, mas ele acredita que deveria ter uma rampa de acesso para a quadra, e por conta disso, ele tem que subir e descer toda vez que vai à quadra. Um dos fatores mais delicados para quem possui algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida é o bullying que outras pessoas fazem. No caso do Pedro, ele conta que sofreu bullying na sexta série, mas fez amigos que o defendiam. “Eles estão comigo até hoje. Já vamos fazer oito anos de amizade. Hoje em dia eu me dou bem com todo mundo, não sofro bullying mais”, comentou Pedro. Sobre o futuro, Pedro contou que quer formar uma família, e quer conhecer os países que sempre sonhou, Japão, Coréia, França e Estados Unidos. 

João Paulo Brito é outro exemplo de alguém que superou a dificuldade em prol da educação. Ele, que começou a estudar com três anos de idade na cidade de Goiás, e hoje, aos 27, cursa comunicação social na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), se sente privilegiado por estar em cursando uma universidade. “É muito raro você ver pessoas com deficiência nas universidades. Então quando eu entrei fiquei surpreso por mim mesmo, porque eu não só passei em uma universidade, mais em duas. É muito gratificante poder estar estudando e acompanhando a turma, e também mostrar para a sociedade que uma pessoa com necessidades especiais tem a capacidade de estar estudando e adquirir mais conhecimento. Eu quero poder mudar a visão da sociedade que a educação não é para alguns, mais para todos”, reforçou João Paulo.

João nasceu com uma doença rara chamada artrogripose múltipla congênita, e desde os cinco anos faz acompanhamento médico.  Ele conta que sofreu com problemas no começo, em uma das escolas que sua mãe tentou matriculá-lo a diretora da escola, que era prima de João, alegou a escola não tinha estrutura, e por conta disso, João teve que ir para outra escola. Ele conta que foi recebido com muito carinho e respeito, porém a instituição não tinha acessibilidade, mas ele não se deixou abater por conta disso e seguiu forte no seu objetivo. 

A respeito da educação, João afirma que quer continuar estudando para mostrar para ser visto, futuramente, como um exemplo aos portadores de deficiência. “Espero que com o meu esforço eu possa mostra para todos que vivem a minha volta que deficiência não é motivo de parar a vida”, reforçou. 

Cegos

Recentemente um gari com deficiência visual foi aprovado no vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG). Rogério Gomes da Silva, de 37 anos, foi aprovado para o curso de bacharel em História. O jovem descobriu o glaucoma aos 13 anos de idade e há três anos perdeu 100% da visão. Porém, essa limitação não o impediu de ir atrás do seu objetivo. 

Rogério concluiu o ensino médio em 2016, após inúmeras dificuldades e desde então vem se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio. Nos últimos meses, com a ajuda e apoio das filhas e da esposa aliou a rotina de trabalho com estudos e conseguiu ser aprovado. Os estudos eram realizados por meio de algumas apostilas em braille e leituras feitas pela filha de 17 anos. A matrícula na Universidade foi feita na semana passada, e em março ele inicia as aulas. Rogério ainda não sabe como será, mas a expectativa é grande. “Desde muito novo venho ultrapassando barreiras e isso foi fruto do meu esforço. Vendo as dificuldades do dia-a-dia, a única solução é estudar”, afirmou. 

Pessoas com deficiência também se destacam no esporte 

A prática de exercícios físicos é algo importante para a saúde e bem estar de todos. No caso da pessoa com deficiência, o esporte tem a missão de dar mais força à pessoa, melhorar a circulação do sangue e também o fôlego. Existem diversos esportes que uma pessoa com necessidade especial pode praticar, sendo eles individuais e coletivos. 

Além desses esportes proporcionarem todos as vantagens físicas, há, ainda, o contato com outras pessoas, que traz enormes benefícios emocionais. Entres esses esportes, temos o basquete como campeão no número de praticantes. Além dele, há também o futebol, o rugby e o futebol americano. 

O basquete, disputado em cadeira de roda, bocha adaptada, que faz parte dos jogos paralímpicos desde 1984, tênis de mesa, presente nos jogos desde 1960, voleibol sentado, que pode ser praticado por homens e mulheres, futebol de cinco, disputado por pessoas com deficiência visual, goalball, que a exemplo do futebol de cinco, só pode ser disputado por pessoas com deficiência visual, essa modalidade está presente nos jogos paralímpicos desde 1976. 

Já os esportes individuais podem ser a natação, que trabalha todas as funções do corpo, o remo adaptável, que exige muita disciplina, potência, resistência e técnica apurada, sendo uma ótima opção para o desenvolvimento e recuperação da pessoa com deficiência, principalmente para quem tem dificuldade na mobilidade. Outra modalidade é o arco e flecha, que pode ser praticado em pé ou sentado na cadeira de rodas, a musculação, ciclismo, para as pessoas cuja deficiência atinge os membros superiores ou inferiores, já existem bicicletas com uma adaptação que permite a prática do esporte. Por fim, tem ainda as artes marciais, atletismo, esgrima, tiro paralímpico, hipismo paralímpico, halterofilismo Paralímpico. 

(62) 3095-8700