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Daniel Vilela: “Executivo e Legislativo precisam de atitude urgente contra a crise”

Deputado Federal, Daniel Vilela defende que o mais importante agora é o governo federal conversar diretamente com o Congresso e não usar intermediários. Segundo ele, isso pode até piorar a situação.

Com pouco mais de seis meses no mandato de deputado federal, Daniel Vilela (PMDB) dá a ‘receita’ para as crises política e econômica, em entrevista ao Hoje de Frente com o Poder: diálogo entre a própria presidente Dilma Rousseff e os congressistas.“Pode ter impeachment? Sim, político...” Ao jornalista Murilo Santos, Daniel admite o fogo cruzado entre parte do PMDB e o governo federal. Tem ainda: “pautas-bomba”, divisão maguitistas e iristas, Paulo Garcia (PT), Ronaldo Caiado (DEM)... No vídeo com a íntegra da entrevista, no HojeTV (ohoje.com), o deputado explica a votação na PEC 443 e a candidatura natural de Iris Rezende à Prefeitura de Goiânia. Assista!

Como é participar diretamente (Câmara dos Deputados) desse momento complicado para o País?

O momento é muito especial. Gostaria que fosse especial em um sentido positivo, mas é no sentido de conturbação. Vivemos uma crise política que está contaminando e amplificando a crise econômica no Brasil. É preciso encontrar alternativa urgentemente. O Congresso tem participação muito determinante nesse momento. É preciso que os poderes Executivo e Legislativo tomem algum tipo de atitude. Já vivemos uma crise econômica substantiva, mas pode aprofundar-se ainda mais...

Tem “pautas-bomba”?

Muito se fala na questão de “pauta-bomba”. É fato que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), tem divergência muito grande com o governo federal e que, no seu ativismo político, está defendendo o rompimento e mudanças radicais. Não vejo as pautas apresentadas nesses dias na Câmara como “pautas-bomba”...

O senhor é PMDB, aliado de Eduardo Cunha e da presidente Dilma Rousseff (PT). Como se situa em meio ao fogo cruzado?

Minha situação é um pouco peculiar. Sou aliado do governo federal e defensor dessa aliança na última eleição. O País teve conquistas enormes. Goiás também teve grandes conquistas, especialmente nos últimos anos, desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula e da presidente Dilma. Entretanto sinto também que é preciso viver um novo momento político no país. Não entendo que seja necessariamente com a destituição da presidente do cargo. Ela tem capacidade de regeneração política para reestabelecer o conforto político para o País.

O momento tem reversão?

Acho que sim. Não tenho visto, sou muito sincero, disposição. Na prática, não vejo encaminhamento, especialmente pelo PT e por alguns membros do governo federal. Parece que não estão entendendo a dimensão do problema e que isso está agravando a crise política.

Como?

Não se tem percebido a conjuntura e o clamor popular para que tenhamos novas práticas políticas e um governo mais eficiente. Esse clamor existe na sociedade há muito tempo. Isso faz com que o relacionamento político entre os poderes Executivo e Legislativo não seja bom e, na verdade, cada dia piora. Não vemos a intenção de recompor a relação positiva entre os poderes por parte do Executivo... O mais importante agora é que o governo federal converse diretamente com o Congresso e não fique usando intermediários. Isso pode até piorar a situação. É preciso aprofundar o relacionamento positivo entre Executivo e Legislativo. Com isso, poderemos serenar esse clima beligerante da política e consequentemente também o clima econômico.

Falta sensibilidade para ouvir as ruas, como por exemplo redução de Ministérios?

É um dos indícios que digo não observar por parte do Executivo, que poderia arrefecer o clima político e até mesmo a própria sociedade que hoje está revoltada com o governo federal. A popularidade da presidente caiu muito com essa situação. O PMDB apresentou uma PEC dos 20 Ministérios. Saímos na frente. É algo que talvez não traga economia significativa para a crise fiscal que o Brasil vive, mas seria simbólico...

Serviria de exemplo...

Sim. Demonstra que o Executivo está fazendo sua parte e possa dizer aos brasileiros que façam a sua também. Serviria para toda a sociedade e para a classe política também. Não falta apenas ouvir a voz das ruas. Com o profissionalismo político é possível ter dados, números e informações que demonstram isso para o governante. No caso de não reduzir Ministérios, existe o componente político da necessidade de manter aliados. Porém é preciso que todos se sentem à mesa e entendam a gravidade da crise que estamos passando. Tudo isso pode prejudicar o futuro do País e, consequentemente, de todos nós.

Qual a chance de impeachment ou renúncia da presidente Dilma Rousseff?

Renunciar é questão muito pessoal. Não acredito que a presidente Dilma faria isso, até pelo seu histórico de vida e pelas dificuldades que já enfrentou, principalmente na política. Também não acho que seja algo impossível e até desonroso para ela. Talvez ela tome essa decisão em benefício do País. O impeachment é uma decisão muito mais complexa. Se daria por atos cometidos no atual mandato e a Constituição é muito clara nesse sentido. Tudo que tem se levantado, quando há discussão de impeachment, se trata do mandato anterior. Por exemplo, as “pedaladas fiscais” que o Tribunal de Contas da União vai emitir parecer é do mandato anterior e, por isso, não é motivo para impeachment...

No TSE...

Existem processos tramitando no Tribunal Superior Eleitoral que poderiam levar à cassação por atos ilícitos eleitorais, mas não seria impeachment. É um debate. Pode ocorrer impeachment no Congresso? Sim. Mas seria político e não com algo materializado que de fato levasse a essa condição. O Brasil sempre está sendo surpreendido pela sua própria criatividade em encontrar soluções para seus problemas.

O senhor admite que alguns líderes do PMDB nacional teriam interesse no impeachment?

Com certeza. Especialmente aqueles líderes que sempre estiveram do lado oposto do atual grupo político que governa nosso País. O PMDB sempre teve uma ala radicalmente contra o PT. Da mesma forma também existiu ala contra o PSDB. Michel Temer não move uma palha no sentido de amplificar essa disposição dentro do partido. Ele tem sido muito leal e correto com o atual governo. No auge da sua carreira como vice-presidente da República não seria esse o momento para mudar a condução serena que sempre teve na atividade política. Ele tem deixado isso muito claro...

Mas interessa ao partido?

O impeachment pode vir a acontecer? Sim. Mas nada manifestado ou induzido por ele. Se acontecerteríamos uma das pessoas mais preparadas para assumir o destino do Brasil. Michel Temer é um grande constitucionalista, preparado e sereno. Talvez seja uma alternativa. Não estou defendendo isso. Apresidente Dilma tem todas as condições de refundar seu governo e recuperar a credibilidade e os destinos corretos do governo federal. Mas não posso deixar de admitir que Michel Temer também é uma pessoa que tem competência e preparo.

O PMDB de Goiás perde na ‘divisão’ entre maguitistas e iristas?

Na verdade, as alas maguitistas e iristas são mais criações do que algo que acontece na prática. Em todas as eleições que o Iris foi candidato, ninguém trabalhou mais do que nós que somos próximos ao prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Eu muito mais como filho. Nos dedicamos intensamente e acreditávamos no nosso candidato e no nosso projeto. Não vejo isso dentro do partido. O PMDB tem suas dificuldades e seus pensamentos divergentes, que são naturais e salutares. Existem também algumas figuras que realmente foram desleais com o partido no processo eleitoral. A maioria deve deixar o partido naturalmente e procurar abrigo em coligação aliada ao governo. Infelizmente as benesses do poder ainda seduzem muita gente...

Em Goiânia o PMDB apoia o prefeito Paulo Garcia (PT), mas agora tem o ‘fator’ Ronaldo Caiado (DEM). Como fica 2016?

A princípio temos aliança com o prefeito Paulo Garcia. Ele tem recuperado a dinâmica da Prefeitura que a cidade espera. Podemos ver muitas obras por Goiânia. Esperamos que ele possa colocar a capital em ritmo de desenvolvimento e investimentos públicos importantes e necessários para a qualidade de vida do goianiense. A questão política vai passar pela definição do candidato, sua relação, pensamento e o que imagina importante dentro da aliança para uma gestão. Ter aliança com o PT é necessário por causa da relação com o governo federal. Hoje, todos os municípios, inclusive Goiânia, dependem de recursos federais. A aliança com o senador Ronaldo Caiado também está consolidada desde a eleição de 2014. Dependendo do candidato, será possível construir aliança que participe PMDB e DEM...Mas é mais necessário construir um projeto para a cidade do que de poder. As pessoas exigem isso.

Iris Rezende seria capaz de unir na mesma coligação PT e Ronaldo Caiado?

Talvez ele seja o que tem mais condições para isso. Tem experiência política, sabe conduzir e mostrar que antes desses desejos partidários ou pessoais há desejo de poder fazer administração significativa, importante e produtiva para Goiânia. Esse é o pensamento que deve nortear um candidato a prefeito.

PMDB e Ronaldo Caiado estão muito próximos. O senador deseja ser governador. O senhor é apontado como promessa para 2018. Como fica a relação entre os dois?

Executo na prática boa relação com o senador. Sempre estamos juntos discutindointeresses de Goiás e do Brasil em Brasília, mesmo que ele sempre tenha posição antagônica da minha como aliado do governo. O senador tem muita experiência de Legislativo e na política. Procuro absorver toda essa experiência. Temos uma relação muito amistosa. Não podemos querer apenas nossa vontade no futuro. É preciso analisar a conjuntura política. O ano de 2018 ainda está muito distante...

Mas há projeto...

Qualquer projeto para futuro, tanto da minha parte quanto de qualquer outro pretenso candidato a qualquer cargo, depende da competência na atual função que exercemos. Estou me dedicando muito para ter mandato produtivo para Goiás e ser peça importante ao Estado e ao Brasil no Congresso, especialmente nesse momento crítico que vivemos. Lá na frente minha produtividade será avaliada. É lógico que se for positiva poderemos ocupar novas funções importantes também.

Costuma-se dizer que as eleições municipais têm influência nas eleições gerais. É fato ou folclore político?

Tem a sua importância. Quando temos maior número de aliados engajados no projeto e a levar ao conhecimento da população essas perspectivas, faz toda diferença. Não acho que seja esse o definidor de qualquer eleição estadual. As eleições são particulares e regionalizadas. Acontece no interior também. Se há um prefeito bem avaliado na cidade e é oposição ao governo do Estado, o governador pode passar todos os dias da campanha naquela cidade que dificilmente vai reverter a tendência do prefeito de se reeleger.Um conjunto político consolidado, com maior número possível de atores, contribui para o sucesso...

De 2016 para 2018...

A conjuntura estadual para as eleições de 2018 será definidora de continuar esses 20 anos de poder que estão aí ou de mudança. Será uma eleição plebiscitária: de mudança ou de continuidade. Quem quis apresentar projeto teve a oportunidade durante 20 anos. Se não conseguiu solucionar os problemas não pode alegar que faltou tempo. Foi por própria incompetência. Certamente esse será nosso discurso: necessidade de oxigenação, de alternância de poder. As pessoas vão se viciando no poder durante muitos anos.

(Apoio: Karla Araujo) 

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