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Thiago Peixoto: “Queremos incentivar uma nova classe média no Brasil: a rural”

Thiago Peixoto prevê o surgimento de uma nova classe média “rural” no Centro-Oeste brasileiro. Essa nova classe média não teria como base o consumo - hoje em crise - mas a produtividade agropecuária.

Ele foi secretário de Governo em Goiânia, com Iris Rezende, secretário de Educação, com Marconi Perillo, e agora comanda a Gestão e Planejamento. Teve um mandato de deputado estadual e está no segundo de federal. No PMDB e depois no PSD. Tem origem nos antigos PSD/MDB. É a história do economista Thiago Peixoto. Ao Hoje de Frente com o Poder fala sobre Consórcio Brasil Central, competitividade, LRFE, Ana Carla, OSs na Educação... Ao jornalista Murilo Santos comenta semelhanças/diferenças entre Marconi/Iris e o sonho de chegar ao Palácio das Esmeraldas. Confira e íntegra da entrevista e saiba mais sobre o PSD e o ‘ninho tucano’. 


O Consórcio Brasil Central sai do papel?

Já saiu do papel e foi rápido. O que gerou condições para isso foi a atual circunstância que vivemos. A crise é uma grande geradora de oportunidades. Na crise, buscamos novos caminhos criativos. Neste caso específico buscamos desenvolvimento para o Estado e região. É uma região com muito potencial e se tivéssemos políticas comuns a possibilidade de avançar seria ainda maior. Devido ao histórico político, o governador Marconi Perillo lidera o grupo. Desenvolveremos vários projetos voltados para o Brasil Central.

Por que o Centro-Oeste nunca se uniu, como o Nordeste?

Faltava essa articulação. A crise também gerou a oportunidade. Se não tivéssemos que pensar no pós-crise, ainda estaríamos realizando as mesmas políticas econômicas para a região que usamos até hoje. Outra coisa importante é o quadro político. Reuniões de governadores eram comuns, mas ficavam só ali. Eram atos políticos importantes, mas não passavam disso. Tivemos a preocupação de ter pauta muito clara de projetos em comum e ter uma instituição, que é o Consórcio, para dar respaldo para pensar o Brasil Central e para de fato implementar políticas pensadas por esse consórcio.

Na prática, qual a prioridade?

Assinamos a criação do consórcio em Palmas, no Tocantins. Agora, cada um dos estados tem que aprovar o projeto nas suas Assembleias Legislativas. Na reunião em Campo Grande (MS), nos dias 1º e 2 de outubro, a meta é que todos os estados tenham as matérias aprovadas. Vamos definir quem será o presidente do consórcio. Acredito que existe consenso de que será o governador Marconi Perillo. Também vamos definir como implantar os projetos já colocados no papel.

Por isso que presidentes de Assembleias Legislativas participam dos encontros...

Foi ideia do governador Marconi Perillo. Desde Cuiabá, nossa segunda reunião, os presidentes das Assembleias estão participando. O presidente em Goiás, deputado estadual Helio de Sousa, tem contribuído para isso e liderado junto às Assembleias.

Algum projeto ousado para este ano?

É ano de consolidar o consórcio. A carteira de projetos está pronta e todos os estados estão olhando com muita atenção para desenvolver as ações. São oito linhas de projetos, mas um na área agropecuária me chama mais atenção, pois está relacionado à criação de uma nova classe média no País. Uma classe média rural. O Brasil avançou muito nos últimos anos com a criação de uma classe média que nasceu com base no consumo. Isso é muito delicado. Como o Brasil vive em crise hoje, vemos essa classe média perdendo poder aquisitivo e passando por dificuldades...

Como será?

A nova classe média terá como base a produtividade. Está no mundo rural. A grande maioria dos produtores rurais de Goiás, do Brasil Central e do País inteiro tem baixa faixa de renda e de produtividade. A intenção do projeto é dar apoio técnico para que possam triplicar sua produtividade. Por exemplo, um dono de fazenda que produzia 10 litros de leite/dia, passará a produzir 30 litros. Isso, em escala maior, pode gerar grande impacto na nossa economia. É um projeto muito forte e muito interessante.

Há desejo de colocar Goiás entre os cinco estados mais competitivos do País. É um sonho?

Não é um sonho. É possível...

Entre os cinco?

Claro que é um sonho no aspecto de que queremos muito isso. Mas é algo que não vamos ficar só sonhando. Vamos realizar. Dois projetos me trouxeram para o governo: o Brasil Central e o de competitividade. Nosso estado tem condições de ser até o mais competitivo do Brasil. Isso se aplica não apenas no aspecto econômico. É uma visão mais ampla. Um estado competitivo tem boa educação, saúde de qualidade, boa infraestrutura...

Segurança...

Sim, segurança. É governo tendo visão mais ampla de competitividade, não apenas econômica, mas também social.

Goiás pode atingir isso?

Pode e vamos atingir.

De que forma?

Estamos desenhando esse plano. Do começo do ano até agora discutimos o diagnóstico. Temos cerca de 40 indicadores que medem o que devemos avançar para que sejamos os mais competitivos. Fizemos diagnóstico detalhado de cada um deles. Por exemplo, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) acompanha a Educação; a mortalidade infantil, a Saúde; o déficit habitacional, a questão de moradia. Agora, estamos definindo a carteira de projeto que temos que executar para melhorar nossos indicadores...

E os executivos?

Estamos formando também um grupo seleto de executivos públicos para gestores desses projetos. Homens e mulheres que darão respaldo na ponta para que esses projetos saiam do papel e tornem-se reais. Falamos em indicadores, números e competitividade, mas é importante dizer que não é apenas um número que avança. Cada vez que isso aconteceu, significa melhor qualidade de vida para os goianos. Significa melhor vida para cada um de nós. Vamos utilizar a política de análise de dados e de boas práticas para melhorar a vida do cidadão goiano.

O senhor é a favor ou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual?

Como conceito, o mérito da lei é positivo. Temos que avaliar a circunstância. Todas as áreas do governo estão sendo cuidadosas com a análise da lei. A secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão, está ampliando esse diálogo com muita habilidade. Ela esteve conosco discutindo a lei de forma detalhada e pedindo sugestões.

E o senhor apresentou?

Sim. Por exemplo, com relação aos incentivos fiscais. Temos que ser cuidadosos com isso. Nosso estado foi formado com base em incentivos dados a empresas importantes que consolidaram a economia de Goiás. É um tema que merece sempre muita atenção e é muito delicado. Tem relação muito forte com a competitividade econômica do estado. Temos que ter atenção nesse ponto principal. Concordo com a tese de que o estado deva ter mais responsabilidade ainda e ser mais ousado com relação à gestão de gastos. Não é tese do governo, é da sociedade. A lei é boa, mas cabe todo cuidado para não atrapalharmos o setor produtivo.

A equipe econômica tem bom relacionamento?

Muito bom. Tenho relação pessoal próxima com a secretária. Extremamente competente. Tecnicamente habilidosa e preparada. Veio com espírito público muito forte para contribuir com o Estado. Enfrenta dificuldades de um secretário da Fazenda e tem foco em algo necessário: o ajuste fiscal. Tenho visão que não é limitada ao ajuste fiscal. O ajuste fiscal é importante, está acontecendo e é bem executado. Entretanto também acho que o estado deve ter projetos olhando para o futuro, para os próximos passos.

Organizações Sociais (OSs) na Educação é a solução?

É a solução.

Por quê?

Hoje temos um modelo educacional que não funciona. O sistema não funciona...

Então o senhor sofreu quando foi secretário...

Muito, como todo gestor educacional sofre. O secretário investe, coloca dinheiro e abastece um sistema que não funciona. Fizemos um processo muito forte de intervenção positiva. Colocamos boas políticas públicas levando boas práticas para a escola. Mas tínhamos a mão no pulso das escolas. Isso não é viável a longo prazo. Ou seja, o que tem que ser alterado é o sistema. Se sabemos que não funciona é papel do Estado criar e liderar movimento por novo sistema. Concordo com o governador quando defende as OSs na Educação.

Goiás vai manter as notas do Ideb?

Acompanhava a educação, os dados, com a mão no pulso. Hoje não tenho esse grau de informações para dar opinião. Todos no governo, a secretária Raquel Teixeira e todos os professores são muito orgulhosos dos resultados que tivemos na Educação por meio do Ideb. Todos trabalham para que não sejam simplesmente mantidos, mas que consigamos avançar ainda mais na nossa educação.

Qual a semelhança entre Iris e Marconi?

Os dois são líderes fortes com perfis diferentes. Respeito muito o ex-prefeito e ex-governador Iris Rezende, entendo que fez grande trabalho em Goiás e em Goiânia. Porém o governador Marconi Perillo representa a visão moderna de gestão pública. A visão correta de política. Tenho mais afinidade com essa visão. O governador estabelece parâmetros do estado de forma mais moderna, mais contemporânea. Tinha muitas dificuldades, apesar de reconhecer o trabalho que Iris fez no nosso estado, com a visão que defendia de gestão pública como sua forma de atuação. É melhor estar ao lado e trabalhar com quem se tem afinidade e diálogo mais sincero e aberto.

Em algum momento se arrependeu de ter deixado o PMDB para ser secretário de Educação?

Muito pelo contrário. O homem público quer estar no local que pode gerar mais impacto positivo na sociedade. Entendia naquele momento e é uma bandeira que carrego até hoje, que um dos lugares que podemos fazer mais o bem é na educação. O governador não me convidou apenas para ser secretário, me convidou para cuidar do futuro do Estado. Naquela época, do futuro de 600 mil jovens. Não tinha tarefa de maior responsabilidade que essa. Foi uma gestão difícil, de muitos enfrentamentos. A gestão foi pautada pela mudança. Porém não há nada melhor que bons resultados.

O PSD vai ter candidato em Goiânia?

Temos que ver com muito cuidado. Seria muito bom se o PSD conseguisse viabilizar uma candidatura própria. Porém temos que jogar em conjunto com a base aliada. Tenho afinidade muito grande com Jayme Rincón e acredito que seria o candidato que poderia unir a base nesse processo. Ele está passando por processo de decisão ainda no PSDB.

E o PSD?

Dois nomes se colocaram à disposição do PSD como candidato a prefeito, os deputados estaduais Francisco Júnior e Virmondes Cruvinel Filho. Com todo respeito que tenho ao Virmondes, entendo que o Francisco é altamente preparado para a gestão da nossa cidade. Ele é mestre nessa área de cidades e teria condições de construir muito. Mas é discussão para os próximos meses.

O senhor será candidato a governador?

Todo homem público sonha ocupar espaço que possa gerar impacto positivo na sociedade. Não tem cargo no estado que se possa fazer isso com mais habilidade e clareza do que o de governador. Depende muito das circunstâncias. Das composições políticas. Mais importante do que ser esse nome é fazer parte de um projeto que tem objetivo de fazer Goiás avançar. Faço parte do projeto de um grupo político que independente de nome do candidato quer contribuir para que o estado avance ainda mais.

Mas está nos planos?

 Pode ser. Por que não?  (apoio: Karla Araujo)

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